terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Conselho sobre qual curso escolher

Esse é um texto para você que está aí escolhendo seu curso. Se você acompanhar uns textos mais antigos do blog perceberá que é uma indignação antiga que carrego comigo sobre essa escolha que fiz, por isso me acho no direito de escrever algo assim hoje.
Bem, eu cursei Direito. Por que entrei nesse curso? Porque minha família achava que era bom, eu fui na onda. O que eu gostaria de ter feito? Jornalismo, Literatura, Sociologia ou Filosofia, mas não era bom o suficiente para alguns dos meus parentes, que pensavam que curso bom mesmo, era Medicina, Direito ou alguma Engenharia da vida, bem meus queridos, eu fiz.
O curso é tão ruim? Não é esse o caso, não era o meu curso. Não tinha paixão, nunca tive encanto com ele. Foi uma tortura assistir aquelas aulas, conviver com os alunos de Direito que falavam de que? De Direito é claro. Eu odiava cada segundo disso tudo. Meu refúgio foram algumas matérias introdutórias que geralmente ninguém gostava, que incluíam filosofia, sociologia e antropologia, posteriormente descobri a pesquisa em História dos Sistemas Jurídicos e aí melhorou mais, mas é conversa pra outro texto. O fato que quero mostrar aqui, é que não vale a pena sofrer fazendo algo que não te causa paixão. Na minha turma, tinham várias pessoas que estavam ali por estar, não sabiam o motivo além do "status" de fazer Direito. Eu não usei meu desgosto como justificativa para fazer um curso mal feito, eu conclui com boas notas e passei na OAB antes de concluir o curso, o que não mudou o fato de não gostar. É possível você sobreviver ao que não gosta, essa é a vida, mas não precisa ser assim. Você pode ter prazer no que faz, sonhar com aquilo, amar ouvir sobre o assunto. Não me pergunte de Direito, não me fale sobre as vantagens da advocacia, eu não suporto, tenho antipatia, sei fingir?  Sim, esse é o mercado do Direito, a atuação! Conheci e convivi com advogados, muitos que respeito, outros nem tanto, a regra geral é: atue! Finja se importar, finja, finja, finja! Como tudo é uma questão de perspectiva, talvez a minha esteja danificada por todos esses anos respirando essa fumaça tóxica das leis não cumpridas desse país, talvez seja o seu curso, talvez você possa amar o Direito. Contudo não aconteceu isso comigo, me arrependo tanto de não ter me imposto e ter lutado pelo o que eu acreditava. Hoje ainda há tempo de buscar meus objetivos, e tenho tentando fazer isso, mas algumas coisas que vivi não podem mais ser alteradas, por isso te escrevo a fim de que não entre nessa cilada familiar de fazer o que não quer ou não gosta. Faça o que você ama. Seja feliz trabalhando, o mundo precisa disso, não de gente que cursa algo por dinheiro apenas. Sua família vai entender, você não pode ser refém dos sonhos dos outros, não aceite essa posição, por você, por seu futuro, por sua saúde mental, não entre nessa onda de fazer algo porque alguém acha que é melhor pra você, acredite, não funciona! Eu estou aqui, juntando os pedaços do que eu sou para fazer o que amo, pode ser que me arrependa depois, mas é a minha escolha! Pagarei o preço com o maior prazer. Diferente do que faço com minha atual profissão, é um morrer diário. Uma labuta danada, para ser quem escolheram pra eu ser. Nem sempre os seus sonhos vão dar certo, mas o que resta é tentar e ser feliz durante o caminho, não apenas enquanto espera a chegada, porque a chegada pode ser mais infeliz do que o caminho. Enfim, fica a dica queridos, não se deixa levar. Quem é você? O que você gosta? Procure em você as respostas que são para você. Feche-se para balanço por um tempo, vale a pena.


sábado, 21 de janeiro de 2017

Conversa com o espelho


_Quando o decrescimento começa a fazer sentido para além das ideias de Peter Victor e seu país modelo. Decrescer em todos os sentidos, desfazer do que não se usa, do que não cabe mais, sejam ideias, roupas ou relacionamentos tóxicos. Para uma vida que é frágil e flerta com a morte constantemente, é preciso perceber seus sinais de socorro e proporcionar o decrescer.
_ Mas afinal, do que você está falando?
_Estou falando do que não se fala, do que não se ouve, do que eu sinto em mim.
_ Explique melhor, não compreendo.
_ Não compreenda, sinta. Apenas sinta minhas palavras. Eu sinto que preciso decrescer. Já não há prazer nas leituras, nem no sono, nem em nada. Tudo para mim se tornou obrigação, meta a ser cumprida com tempo e espaço determinados em planejamentos. Já não suporto mais esse peso invisível da existência. Decrescer é pausar, não retornar, apenas estabilizar por um instante. Na economia do Canadá está funcionando, já ouviu falar do Peter Victor?
_ Não, não ouvi e não entendo de economia.
_ Minhas motivações já não são boas, faço o que faço porque preciso fazer. Kant me condenaria, diria que não há mérito moral em nada disso, e não há mesmo. Já ouviu falar de Kant, não é?
_ Já, mas não sei nada dele também.
_ Não importa o que sabe, não importa o que eu sei. Importa geralmente o que eu não sei, e isso me atormenta. O prazer que não tenho tido nas conquistas, me sobra no desgosto pelos fracassos. O homem máquina brotou em mim, só quer acertos e quando não os tem, me pune sem piedade. É uma questão de perspectiva doente, eu estou doente, só pode ser. Você poderia me ajudar?
_ Não posso, me desculpe. Mas prossiga, é bom ouvir você.
_ Prosseguir para onde? Para quem? Onde eu estou? Eu queria respostas para as quais nem sei formular as questões. Há aflição e cansaço em cada canto meu, só vejo o que eu deveria fazer, saber, ou ser, deveria... maldita conjugação verbal, por que é tão complicado contentar-me com o presente? Você me entende?
_ Na verdade não. Mas fique à vontade, não é sempre que tenho companhia.
_ Eu só sei que preciso decrescer. Esquecer as letras, as inscrições, os editais, os resultados e pensar mais em ...você.
_ Só não me mate como acontece no "O homem feito" do Fernando Sabino. Não me mate, me deixa viver além do reflexo.
_ Deixarei. Vou decrescer, a decisão está tomada. Vou desacelerar e aprender um jeito melhor de viver você.
_ Feito.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2016 e seus efeitos.

[Esse é um texto real.]
2016 foi um ótimo ano aos meus olhos. Claro que as palavras podem ter significações diversas, mas gostaria de ser o mais objetiva possível para descrever o que aprendi nesses dias e que isso possa de algum modo alcançar alguém e gerar bons sentimentos de paz e esperança.
Bem, foi um ano de desafios, daqueles de aprender a andar em uma corda bamba, quase caí de vez nesse percurso diversas vezes, mas Deus me ajudou a manter o equilíbrio e levantar depois de cada queda.
Conheci pessoas ótimas, que são felizes de verdade e respiram vida, não a afobação de uma vida corrida em busca de sucesso profissional ou dinheiro apenas, gente de verdade, que dorme, come e ri sem a ajuda de medicamentos ou às custas da dor de alguém. 
Aprendi que os sapatos mais bonitos e elegantes são aqueles que não causam dor ou desconforto aos meus  pés ( literalmente, e no sentido figurado também).
A comida mais saborosa é aquela que tenho tempo para sentar à mesa e saborear, sem a agonia de olhar incessantemente no relógio, como uma tentativa de controlar o tempo. Bem, não vou o controlar, no máximo o usar ao meu favor, ou contra mim e isso, é uma questão de... prioridades.
Digamos que minhas prioridades mudaram bastante esse ano, não como um big bang, mas como parte de um processo que reconheço de Deus em mim, as ferramentas nem sempre ficam à mostra, porém algumas delas eu posso perceber .
Nesse ano eu finalmente terminei a série Merlin, que é maravilhosa! Eu a comecei por volta de 2011, mas devido ao tráfego complicado de atividades na minha vida, não pude terminar, então concluí-la foi ótimo!  Além dessa série, também fui bem sucedida em alguns retornos e desfiz alguns nós que me incomodavam e foi ótimo!
Finalmente consegui superar meus limites e manter um ritmo constante de atividades físicas e correr 3km completos, sem parar! Uau! É uma grande coisa pra mim!
Consegui girassóis em casa!
Passei mais tempo em casa, com meus pais, com minhas cachorras e com meus livros de literatura e filosofia! Isso é tão reconfortante, como um chá que aquece o corpo antes de embalá-lo no sono.
E mais importante, foi um ano onde tive presentes tão especiais de Deus que me faltariam as letras para descrevê-los, momentos e conquistas únicas e infinitamente especiais.
Era pra ser um grande texto, mas vou encerrar por aqui, porque percebo que não há tanto assim pra ser dito, talvez muito a ser sentido e percebido, no entanto parece que é algo mais interno do que externo, o que demonstra que conforme o tempo passa, a gente fica mais sensível  e atento ao que realmente importa e isso não se estampa em nada, é essência, aroma, alma, ou simplesmente: vida.

Obrigada Deus por tudo, obrigada mesmo.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Sobre amizades

Geralmente as pessoas me perguntam se o blog é um diário ou algo semelhante. Não é. Aqui é só um depósito de textos, como um hobbie mesmo...
No entanto esse texto de hoje, é real.
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Há algum tempo atrás aprendi que Deus se importava com minhas amizades, por isso passei a orar por amigos que fossem Dele pra mim. E então veio o início dessa história.
 No começo do curso de Direito eu tinha um grupo de colegas e com o passar dos períodos, nosso grupo foi se diluindo, e ficamos: Ludmila, Sállua e eu. Somos completamente diferentes, mas de uma forma tão harmoniosa fomos nos ajudando mutuamente a terminar o curso e nossa amizade foi se solidificando, e hoje eu percebo que minhas orações foram atendidas, e meu coração se enche de alegria em saber que tenho amigas tão incríveis como essas duas.
Claro que tenho outros amigos especiais, mas é que elas são parte de um momento da minha vida muito peculiar, e foram muito usadas por Deus para me dar sustento.
No começo de tudo, a Lud era arredia com a gente, não fazia nenhum pouco questão de aprofundar os laços. A Sál (quase) sempre foi tranquila e pacificadora, um coração gigante do tamanho do mundo, e eu, bem, eu nunca sei me descrever. Depois com o tempo fomos nos conhecendo melhor e enfrentando problemas juntas, o gato da Lud sumiu e ela ficou bem triste uma vez, a minha avó morreu e depois a avó da Sál também. A Sál trocou de emprego, a Lud entrou em um estágio legal e eu também comecei a estagiar. A faculdade começou a ter umas aulas práticas, por conta disso muitas vezes saímos correndo da aula, comíamos um salgado lá perto da faculdade mesmo e íamos, a pé, de ônibus, debaixo de sol ou chuva, carregando aquele peso dos livros do curso de Direito. Era um tédio, a única graça é porque elas estavam juntas comigo. A gente ria muito, ainda que não tivesse nada de bom naquilo. Nesse percurso, eu fui desgostando do curso e certamente ter conseguido finalizá-lo foi por conta da ajuda delas, nos últimos períodos eu tinha mais sono do que vontade de prestar atenção nas aulas. Não lembrava de nenhuma atividade proposta e elas sempre estavam ali pra me socorrer. Quando passei na oab foi uma benção, um presente de Deus mesmo. Foi bem difícil conciliar a faculdade, morar sozinha, estágio, monitoria e TCC com os estudos para a oab, mas Deus me segurou pelas mãos e me deu minhas amigas, que foram fundamentais em tudo isso. Aprendi ( e aprendo) tanta coisa com elas que é difícil enumerar, desde truques na cozinha a Harry Potter.
Hoje o curso acabou, mas algo ficou de muito bom dele, minhas amigas, que eu amo muito porque percebo nelas o cuidado de Deus comigo. Hoje eu passei o dia com a Sállua, e antes de encontra-la eu estava muito feliz porque iria a ver, fiquei imaginando então o quanto Jesus anseia por se encontrar conosco, porque Ele nos fez seus amigos, se nós que somos mortais esperamos nossos amigos e queremos dar a eles o melhor que temos, pense o Senhor Deus! Com certeza Ele sente muito mais do que posso imaginar. Infelizmente hoje a Lud não pode se juntar a nós, mas em breve nos encontraremos de novo e ela estará junto. O que fica de todo esse relato é que muitas coisas na vida passam, mas aquelas essenciais só aprofundam suas raízes, e essas coisas não tem preço! Que Deus te permita experimentar de amizades tão leais e gratificantes como essas que Ele me deu e sou imensamente grata. 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Voltando ao ponto de partida.

E você retorna, desconsiderando as causas e efeitos desse (re)encontro. Tão você isso, tão eu não me impor. E toda a conversa do "nunca" se desfez diante de mim, e outra vez, a vulnerabilidade do risco ataca, me ataca.
E já é madrugada e pareço ter voltado para os tempos de ensino médio, ou no começo da faculdade, quando ficávamos acordados até muito tarde falando sobre nada, discutindo sobre tudo, mas hoje estou aqui sozinha no meu quarto, no meu apartamento, na solitude que escolhi pra mim. Apoiada no parapeito dessa janela, observando as luzes da cidade, com vontade de acender um cigarro, mas me lembro que isso não vai resolver nada, até porque eu  nunca fumei de verdade ( cigarros são detestáveis). Encaro essas luzes como gostaria de encarar você e te questionar sobre o motivo desse retorno. Sobre o motivo do não começo, que nunca me deu paz. Amizade ou namoro? Coisa estúpida que vivemos... Por que mexer nisso quando tudo já estava cicatrizado dentro de mim? Por que você sempre quer imitar uma fênix, ressurgindo das cinzas?  E por que, eu me curvo a isso, encenando que está tudo bem, que nunca senti nada, que nunca houve choro e nem raiva. Amigos, sua melhor amiga? É isso mesmo? Eu agora sou sua confidente sobre sua nova paquera, a menina com quem deseja assumir um relacionamento sério, se casar? Cretino. Como você é ridículo.
O vento começa a soprar devagar, quase brisa e me esqueço do horário, afinal, quem pode dormir sabendo que existe um fantasma em seu interior? Eu não consigo mais lidar... O lugar de encontro precisa ser também o lugar do desencontro, a fronteira que nos desafia a reassumir o espaço da nossa memória ferida, com aquele projeto de relacionamento que tivemos há anos atrás, que deveria estar morto dentro de mim, realmente devia. E aqui nessa fronteira, entre eu agora e eu antes, me olho nos olhos e não quero reconhecer esse sentimento que ainda vive por você. Nem sei o que pensar, sei que eu deveria não pensar, não te atender, não te ouvir e muito menos acreditar em você, porque pra mim a sua proximidade é risco, é inflamável. E o fogo me encanta, hipnotiza, sempre foi assim.
Hoje entendo que quanto a você, a saudade sempre foi meu lugar seguro. E a segurança agora foi tomada por lembranças e sentimentos há muitos anos afogados no tempo... E agora, o que fazer diante de toda essa bagagem encalhada na minha porta? Talvez eu devesse encarar de vez os reencontros e ressignificações da memória almática quanto a você... e tudo o que simboliza em mim. Ou, simplesmente dormir fora, em um lugar onde as luzes da cidade não fiquem acesas até tão tarde...

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Identidade que traz segurança

Eu não preciso falar dos meus problemas aqui no blog, porque certamente você também tem inúmeros deles, e provavelmente tem dias que também deve se sentar, colocar a cabeça entre as mãos e pensar no quão ferrada está sua vida, você não sabe para onde caminhar, qual caminho seguir, não sabe sequer se existe um caminho para o que quer, aliás, o que você quer mesmo?( Se consegue se identificar com isso, continue a leitura kkk.) Num dia desses onde nada parece dar certo, eu estava sentada debaixo de uma árvore, e em meu coração eu meditava na palavra de Deus, sobre o que Ele diz acerca dos pássaros, sobre eu não precisar me preocupar com minhas necessidades, que bem como Ele os sustenta, também me sustentaria. Fiquei olhando para aquele tanto de pássaros que começaram a se juntar para comer, e percebi o quanto eram graciosos. Então, passei a observar a árvore que me fornecia sombra, e o quanto suas folhas são bem pequenas, e me lembrei que a bíblia diz que nenhuma folha cai sem que Deus permita. Notei que Deus, o Senhor é um Deus poderoso, justo, e ainda extremamente amoroso. Diante daquele caos, ouvi sua voz em meio a brisa que além da minha pele, tocou também minha alma, com a confirmação de que sou Dele. Bem como as árvores ali, os pássaros, o céu, ou qualquer outra criatura, Ele também me formou, e sendo assim, a minha identidade é Dele. Já parou para considerar que Deus é o seu pai? Que o amor Dele por você é bem maior do que pela natureza que Ele tanto zela, e por que ainda temos relutância em nos entregar completamente a Ele, em confiar e descansar na palavra Dele? Porque desconsideramos a simplicidade do amor Dele por nós, em busca de coisas que aparentemente nos satisfazem? Eu não sei por qual motivo somos tão impetuosos, mas sei que Deus quer nos dar paz e nos fazer sentir o Seu amor, basta que o entreguemos o nosso coração, como Ele já nos deu o seu. Saber quem somos, nos dá segurança para enfrentar qualquer situação, somos filhos amados do Senhor, isso basta. Se lembre da sua identidade diariamente e não garanto que a sua vida vai ficar mais fácil e que nada de ruim vai te acontecer, mas garanto que mesmo que tudo ao seu redor desmorone você ainda terá paz e segurança nos braços do pai.

domingo, 10 de julho de 2016

Igreja é pra poucos?

Escrevo esse texto em protesto ao que tenho observado nos últimos tempos. A igreja, lugar que deveria ser de acolhimento e tratamento de almas, é geralmente lugar de exaltação de egos, onde muitos ( NÃO TODOS) utilizam de microfones, cargos, ou qualquer tipo de oportunidade que recebem para inflarem seus podres poderes.
Se um mendigo  se converte e vai servir a Cristo, ele certamente não pode servir a ceia no domingo a noite porque ele não tem um terno, que o torna socialmente aceito. Não terá flashs sobre ele, não há ninguém que o apadrinhe, ele não é o tipo de crente ideal que entende de economia, política ou educação. Porque igreja é lugar de integração social, é um clube, uma instituição que participa quem pode e não quem quer.
Se uma criança filha de uma prostituta resolve frequentar a escola bíblica de férias, não terá o mesmo tratamento do filho do vereador  que senta ao seu lado, não terá três professoras fofas a paparicando e a dizendo o quanto é linda, ainda que cante as canções e decore os versículos, ela é invisível.
O que é uma igreja? Deveria ser um corpo, onde as pessoas trabalhariam juntas a fim de proclamar o reino de Deus. No entanto, o que há  é uma rede de pessoas que  se julgam espirituais demais, intocáveis, que se acham melhores do que os outros, e por isso menosprezam, humilham e degradam a condição humana dos demais em nome de um deus que eu não conheço, porque o Deus da bíblia não é assim, ele não age assim, ao inverso disso ele ia até as minorias, ele amava, comia com elas, e ainda  cuidava delas, não privilegiava aqueles que aparentemente tem algo a mais para ser oferecido.
Esse tipo de assunto é sensível pra mim que nasci em uma igreja evangélica, que cresci rodeada de pastores e pessoas cristãs, mas é um fato que me incomoda, que me violenta, ver esse tipo de comportamento ridículo em nome de deus é tão nojento e absurdo.
Em nome de deus pessoas são exploradas, expostas e humilhadas dentro das igrejas. A igreja fala de um respeito que não é capaz de oferecer. De um amor que não passa de cestas básicas entregues a quem precisa. Será que cuidar das almas é só isso?
É cobrar presença nos seus cultos  lotados de gente? Sem saber o motivo porque seus fieis não estão indo?
É forjar uma alegria perfeita quando as rodinhas de “amigos” se reúnem para comer e falar mal dos outros que não puderam estar ali, ah, e claro isso acontece após os cultos, os lindos cultos onde todos cantaram, choraram e oraram.
Isso é igreja?
É criticar os homossexuais e fazer piadinhas depreciativas sobre isso? É apontar seu belo dedo na cara da menina do louvor que engravidou antes de casar?
Ah, isso deve ser igreja pra você. Mas pra mim, isso é uma vergonha!
Guerra de egos num palco cruel, que exclui quem não faz parte do padrão aceitável socialmente, é o conceito neoliberal impregnado em tudo. Só se é aceito pelo que você produz, o utilitarismo reduzindo o ser humano ao ser produtor, ao lucro, a aparência, a futilidade.
Igreja não é lugar de pobre, nem de ninguém que é diferente, igreja é lugar de pessoas perfeitas, que subiram num grau de superioridade que justifica tanta babaquice que me dá nojo e vergonha de fazer parte de uma.

Mas como foi dito no início, não são todos, mas infelizmente uma grande parte das pessoas que estão na frente, usam da instituição como promotor social, e são a esses belos seres que dedico esse desabafo e um grande beijo, seus hipócritas.

Dica de som: Podres poderes

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Sobre Bianca Toledo e os casamentos perfeitos

Como vim de um meio protestante, muitas das pessoas que convivo estão me enviando textos que noticiam o fim do casamento dessa mulher: Bianca Toledo. Não tenho nada contra, nem a favor dela. E essa é apenas a minha opinião, não é verdade absoluta. Eu acho um tédio as pessoas ficarem espiritualizando tudo, adotarem essas celebridades gospeis como padrão de vida. Daí pra justificarem isso, colocam "deus" em cada frase que proferem, e pra aquilo que são incapazes de dar uma explicação racional, jogam no "espírito santo". Evangelho não é show minha gente, não é falar disso o tempo todo, é viver isso, sem alarde, barulho demais, holofotes demais dá nisso, vira palco, e o palco hoje tem sido mais querido do que a cruz. Você é crente, uau! parabéns! Viva isso, deixe que as pessoas percebam isso sem que você precise ficar falando toda hora do quão santo e bla bla bla você é, seus pastores são, seus líderes, sei lá o que. Para de justificar tudo no mundo espiritual, tem coisa que é do mundo natural, acorda, para de ser alienado e vai ler um livro, vai assistir um jornal, vai aprender um idioma daqui da terra mesmo, permita-se, liberte-se, chega desses padrões perfeitos demais, tipo o dessa coitada que está aí dando satisfação do que ninguém precisava saber. Esse tipo de celebridade 'gospel' me incomoda, me enche o saco, mas mais ainda me irrita o fato de existir gente tonta o suficiente pra ficar seguindo isso, eu sigo Cristo, pronto. Posso até admirar alguém, mas não será simplesmente por se dizer pastor, missionário, sei lá o que. Eu admiro tanta gente por tanto motivo diferente e isso nem vem ao caso, o fato é que o fim desse casamento perfeito não me surpreendeu em nada, eles são humanos e os humanos erram, e daí? A santidade intocável deles não os poupou desse vexame, uau! E agora?  Chega disso né, vamos aceitar que há uma realidade, uma humanidade, que ninguém é Jesus aqui, que todo mundo é feito de carne e osso, que há crime em todo lugar, que há violência e homossexualidade em todo canto, porque é o mundo que vivemos, e ninguém vive em uma bolha, por mais que tem gente crente demais que acha que já está no céu e quer enfiar uma verdade DELE na cabeça dos outros, afs. Coitada da Bianca, coitado do Felipe, coitada da Dilma que levou um golpe e de tanta gente alienada que idolatra essa perfeição que hoje demonstrou ser imperfeita, né? ;)

quarta-feira, 11 de maio de 2016

De Deus


 “Deus fará renovar-se o que se passou. Ec 3.15b”.

Minha pequena,

Hoje te vi sentada naquela calçada com a cabeça entre os joelhos chorando compulsivamente, um choro tão doído que me entristeceu também.
Eu me lembro claramente do dia em que te formei, sonhei com você, e te gerei em mim antes de trazê-la a esse mundo, cada detalhe de sua vida foi determinado por mim, cada sorriso seu sempre trouxe imensa alegria ao meu coração...
Você é a minha pequena, linda, perfeita aos meus olhos.
Contudo, houve um tempo em que você aprendeu a caminhar sozinha, e seus pequenos e despreparados pés te levaram para longe da minha presença. Começou a preferir seus amigos, faculdade, namorado e tantas distrações... O que você me pediu, eu te entreguei, e você se distraiu com as coisas passageiras, me deixou como segundo plano. Tudo isso me deixou muito triste, mas que fique bem claro que meu amor por você jamais diminuiu. 
Nunca deixei de acompanhar seus passos, cuidar de você; ainda que você me evitasse, me deixasse pra depois e só respondesse com monossílabas as minhas tentativas de mantermos um diálogo.
Aos poucos, ler minha palavra se tornou um enfado e falar comigo uma simples repetição de frases, sem nenhum prazer pra você. Como doeu tudo isso.
Minha querida, amada, eu não me canso de te dizer o quanto eu te amo. Olhe para o céu e tente entender a imensidão que há, esse é o meu amor. Se atente para as flores, sempre colocadas pelo seu caminho a fim de te lembrar que se eu me encarrego de cuidar delas, como não cuidaria de você?
Olhe os pássaros que voam, nunca me esqueci de nenhum deles, quanto mais de você me esqueceria! Mas a sua pressa em fazer tudo do seu jeito te conduziu pra esse choro que hoje parte também o meu coração.
Não era o meu sonho pra você esse bebê que está no seu ventre. Certamente meus sonhos eram diferentes, mas isso não me limita  a ponto de transformar o seu caos em benção. Eu conheço suas limitações e te ofereço o meu perdão,  cuidado e amor.
Venha, levante sua cabeça, olhe nos meus olhos e deixa que eu te conduza novamente. Seja a minha menina, eu sou o seu pai. Nada, nem ninguém pode diminuir o meu amor por você, acredite nisso e me entregue o seu coração, porque o meu é seu, desde sempre.
Coloque-se de pé, receba o meu perdão e  viva a minha promessa de renovo, eu estou com você, para sempre.
Com todo o amor que há em mim,

Papai.