domingo, 10 de julho de 2016

Igreja é pra poucos?

Escrevo esse texto em protesto ao que tenho observado nos últimos tempos. A igreja, lugar que deveria ser de acolhimento e tratamento de almas, é geralmente lugar de exaltação de egos, onde muitos ( NÃO TODOS) utilizam de microfones, cargos, ou qualquer tipo de oportunidade que recebem para inflarem seus podres poderes.
Se um mendigo  se converte e vai servir a Cristo, ele certamente não pode servir a ceia no domingo a noite porque ele não tem um terno, que o torna socialmente aceito. Não terá flashs sobre ele, não há ninguém que o apadrinhe, ele não é o tipo de crente ideal que entende de economia, política ou educação. Porque igreja é lugar de integração social, é um clube, uma instituição que participa quem pode e não quem quer.
Se uma criança filha de uma prostituta resolve frequentar a escola bíblica de férias, não terá o mesmo tratamento do filho do vereador  que senta ao seu lado, não terá três professoras fofas a paparicando e a dizendo o quanto é linda, ainda que cante as canções e decore os versículos, ela é invisível.
O que é uma igreja? Deveria ser um corpo, onde as pessoas trabalhariam juntas a fim de proclamar o reino de Deus. No entanto, o que há  é uma rede de pessoas que  se julgam espirituais demais, intocáveis, que se acham melhores do que os outros, e por isso menosprezam, humilham e degradam a condição humana dos demais em nome de um deus que eu não conheço, porque o Deus da bíblia não é assim, ele não age assim, ao inverso disso ele ia até as minorias, ele amava, comia com elas, e ainda  cuidava delas, não privilegiava aqueles que aparentemente tem algo a mais para ser oferecido.
Esse tipo de assunto é sensível pra mim que nasci em uma igreja evangélica, que cresci rodeada de pastores e pessoas cristãs, mas é um fato que me incomoda, que me violenta, ver esse tipo de comportamento ridículo em nome de deus é tão nojento e absurdo.
Em nome de deus pessoas são exploradas, expostas e humilhadas dentro das igrejas. A igreja fala de um respeito que não é capaz de oferecer. De um amor que não passa de cestas básicas entregues a quem precisa. Será que cuidar das almas é só isso?
É cobrar presença nos seus cultos  lotados de gente? Sem saber o motivo porque seus fieis não estão indo?
É forjar uma alegria perfeita quando as rodinhas de “amigos” se reúnem para comer e falar mal dos outros que não puderam estar ali, ah, e claro isso acontece após os cultos, os lindos cultos onde todos cantaram, choraram e oraram.
Isso é igreja?
É criticar os homossexuais e fazer piadinhas depreciativas sobre isso? É apontar seu belo dedo na cara da menina do louvor que engravidou antes de casar?
Ah, isso deve ser igreja pra você. Mas pra mim, isso é uma vergonha!
Guerra de egos num palco cruel, que exclui quem não faz parte do padrão aceitável socialmente, é o conceito neoliberal impregnado em tudo. Só se é aceito pelo que você produz, o utilitarismo reduzindo o ser humano ao ser produtor, ao lucro, a aparência, a futilidade.
Igreja não é lugar de pobre, nem de ninguém que é diferente, igreja é lugar de pessoas perfeitas, que subiram num grau de superioridade que justifica tanta babaquice que me dá nojo e vergonha de fazer parte de uma.

Mas como foi dito no início, não são todos, mas infelizmente uma grande parte das pessoas que estão na frente, usam da instituição como promotor social, e são a esses belos seres que dedico esse desabafo e um grande beijo, seus hipócritas.

Dica de som: Podres poderes

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