quarta-feira, 5 de outubro de 2011

heteronímia velada

Perché quando il dolore toglie il fiato, l'unica soluzione è annullare la mente e lasciare che sia il corpo a curarci.

"Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.

Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).

Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta traições de alma a um caráter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore e até a flor, eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada , por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."

Fernando Pessoa, in 'Para a Explicação da Heteronímia'

I libri non sono fatti solo di parole.Sono fatti di speranze,sogni e possibilità.



[...e por horas,me pergunto exatamente:
o que seria de mim,
se não fosse essas letras 
que destrincham a alma...(?)]

2 comentários:

  1. Olá, bela! vim agradecer tua visita e me deparei com esse lindo poema do Pessoa. Sou uma fã desse mestre, assim como sou fã de Clarice. Acho que eles falam desses múltiplos seres que somos, de uma forma, apesar de singular, ao mesmo tempo parecidos. Adorei esse teu cantinho. Muito bom gosto. bjão.

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