quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Renovo

E já é 2016. O curso de Direito já acabou. Minha avó Joelia morreu. O Chumbinho também. Meu namoro também.
Voltei a ler literatura, de Saramago à Verônica Roth e John Green. Me inscrevi para as aulas de dança de salão e realmente espero não estar tão enferrujada e ser aprovada nos testes.
Essas férias eu assisti filmes! Fazia tanto tempo que não fazia isso, além dos filmes de todos os gêneros, também vi uma série policial, onde o bandido era o legal do enredo. Irônico né?
Minha vida deu algumas voltas, e eu estou bem no centro de tudo isso, rodopiando na chuva e dançando ao som da minha própria música.
Faz tempo que muitas dessas coisas aconteceram, mas só agora me sinto confortável em escrever sobre isso, já não dói, nada disso, só ficaram umas cicatrizes que com a tinta certa se transformarão em uma linda tatuagem para enfeitar a pele.
Às vezes nem acredito que terminei o curso de Direito, que sou advogada, nada disso parece real. Apesar de todos esses anos, eu confesso que ainda não me sinto inclusa nisso. No entanto, a pesquisa me dá um deslumbre de felicidade no emaranhado das leis, e é nesse ponto que tenho investido meu tempo, em pesquisas na área do Direito. Acho que consigo me encontrar nessas coisas de buscar uma solução para problemas que muitas vezes eu nem sabia que existia, como o caso das mulheres campesinas no Rio Grande do Sul que resolveram matar os eucaliptos de uma multinacional importante.
E tem dias que eu penso seriamente em começar outra coisa, como Letras, ou Ciência Política, talvez Filosofia ou Jornalismo. Enquanto não sei para qual lado seguir, tento fazer meu caminho no Direito  mais leve e bonito, se é que me entendem.
Penso que se minha avó estivesse aqui, se sentira feliz com tudo isso. Eu não sei se contei, mas tem o anel dela que eu uso, não é um amuleto nem nada, é só uma recordação de que um dia ela esteve aqui, eu tinha uma avó maravilhosa e eu gosto de lembrar disso.
Quanto ao namoro, foi algo que eu não queria mexer. Era uma daquelas memórias ruins que cortam a gente quando tocamos nela. Me sinto tão feliz que tenha terminado, porque isso me devolveu o sentido da minha vida. Quando se namora alguém durante muito tempo, acaba que se vive a vida de outra pessoa, e foi isso o que eu fiz. Foi um período que acabou, não há fotos, nem amizade, só o conhecimento de que um dia existiu e só isso. Uma vez uma pessoa me disse que lamentava por não ter dado certo, que não era de Deus, eu discordei e respondi que eu acho que deu certo sim, mas durante aquele tempo determinado e foi de Deus sim, eu cresci muito, aprendi muitas coisas, mas já deu. Certamente Deus tem outros planos pra mim que não são ele e eu entendo e sou grata por Deus ter cuidado disso . Deus sabe o que faz, é incrível, eu temia tanto um término na vida, e quando eu precisei romper, eu pensei que não conseguiria, mas eu consegui, eu terminei com uma pessoa que eu pensei amar e sobrevivi. Vivi um monte de coisa que foi muito legal, um monte de coisa que foi horrível. Mas o que importa é que eu vivi e que continuo vivendo, e nesse momento mais intensamente e mais feliz que antes, e estou amando cada detalhe desse aprendizado!
Eu desisti de lutar contra a dança da vida. Compreendi que Deus tem um momento certo para cada coisa, e ainda reluto com isso às vezes, quando alguma coisa não funciona exatamente do jeito que eu quero, mas sabe, o que vale a pena é que independente da minha mentalidade limitada entender ou não, Ele continua cuidando de mim e isso é tão confortante!
Nessas férias fiz algo maravilhoso, eu dediquei meu tempo aos meus amigos mais chegados. Eu esgotei cada momento, quando eu precisava ouvir eu ouvia com gratidão imensa por estar ali, por tê-los. Quando era risada, eu ria até doer a barriga, porque mais engraçado do que qualquer coisa, era minha alegria em estar ali com eles. Em muitos momentos eu quase chorei de felicidade, só por estar ali, deitada do lado deles, podendo os abraçar e beijar. Amigos são presentes de Deus, nunca mais quero me afastar deles, nunca mais quero esquecer dessas coisas, do quanto são preciosas e me fazem feliz. Talvez esse tópico devesse estar conectado à parte que falo do namoro, porque nenhum namoro deve tirar o brilho da vida dos envolvidos, seja esse brilho seus amigos, sua dança ou seu jeito de levar à vida. Escute, nunca permita isso, não vale a pena, eu deveria ter ouvido esse conselho quando me disseram... Graças a Deus que ainda está em tempo de viver essas coisas, mas nem sempre há tempo de reparar os danos, leve isso como brinde desse relato.

Ah, como eu me sinto plena e cheia de renovo, isso vem de Deus, eu sei. Deserto não é lugar de morte, mas de vida, novidade de vida. Realmente precisava publicar isso, uma explicação para os emails recebidos...

(Cada dia mais aumenta minha convicção de que servir a Deus é a melhor coisa que eu possa fazer.)

* e a música que eu indico hoje é: Tudo o que acontece de ruim é para melhorar _ Moska