terça-feira, 25 de outubro de 2016

Voltando ao ponto de partida.

E você retorna, desconsiderando as causas e efeitos desse (re)encontro. Tão você isso, tão eu não me impor. E toda a conversa do "nunca" se desfez diante de mim, e outra vez, a vulnerabilidade do risco ataca, me ataca.
E já é madrugada e pareço ter voltado para os tempos de ensino médio, ou no começo da faculdade, quando ficávamos acordados até muito tarde falando sobre nada, discutindo sobre tudo, mas hoje estou aqui sozinha no meu quarto, no meu apartamento, na solitude que escolhi pra mim. Apoiada no parapeito dessa janela, observando as luzes da cidade, com vontade de acender um cigarro, mas me lembro que isso não vai resolver nada, até porque eu  nunca fumei de verdade ( cigarros são detestáveis). Encaro essas luzes como gostaria de encarar você e te questionar sobre o motivo desse retorno. Sobre o motivo do não começo, que nunca me deu paz. Amizade ou namoro? Coisa estúpida que vivemos... Por que mexer nisso quando tudo já estava cicatrizado dentro de mim? Por que você sempre quer imitar uma fênix, ressurgindo das cinzas?  E por que, eu me curvo a isso, encenando que está tudo bem, que nunca senti nada, que nunca houve choro e nem raiva. Amigos, sua melhor amiga? É isso mesmo? Eu agora sou sua confidente sobre sua nova paquera, a menina com quem deseja assumir um relacionamento sério, se casar? Cretino. Como você é ridículo.
O vento começa a soprar devagar, quase brisa e me esqueço do horário, afinal, quem pode dormir sabendo que existe um fantasma em seu interior? Eu não consigo mais lidar... O lugar de encontro precisa ser também o lugar do desencontro, a fronteira que nos desafia a reassumir o espaço da nossa memória ferida, com aquele projeto de relacionamento que tivemos há anos atrás, que deveria estar morto dentro de mim, realmente devia. E aqui nessa fronteira, entre eu agora e eu antes, me olho nos olhos e não quero reconhecer esse sentimento que ainda vive por você. Nem sei o que pensar, sei que eu deveria não pensar, não te atender, não te ouvir e muito menos acreditar em você, porque pra mim a sua proximidade é risco, é inflamável. E o fogo me encanta, hipnotiza, sempre foi assim.
Hoje entendo que quanto a você, a saudade sempre foi meu lugar seguro. E a segurança agora foi tomada por lembranças e sentimentos há muitos anos afogados no tempo... E agora, o que fazer diante de toda essa bagagem encalhada na minha porta? Talvez eu devesse encarar de vez os reencontros e ressignificações da memória almática quanto a você... e tudo o que simboliza em mim. Ou, simplesmente dormir fora, em um lugar onde as luzes da cidade não fiquem acesas até tão tarde...

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