sexta-feira, 26 de junho de 2015

Monstros, vida adulta e amor

Muitos passos para a vida adulta foram dados, como sair de casa, ter um emprego, terminar uma faculdade, ter uma profissão e planos para um futuro. E como adultos, a gente sempre cria meios para evitar a dor, o sofrimento ou o desgaste nesse sentido, mas nem sempre é possível fugir. A dor emocional é como a morte, ela chega e toma conta de você, com ou sem resistência, ela sempre leva a melhor nesse combate. O quão difícil é amar alguém? Confiar em alguém? Se expor e se oferecer como Prometeu à águia continuamente? Eu não sei lidar com isso. Confesso, exponho minhas entranhas de um modo doído e gritante, eu não sei lidar com isso! Não sei lidar com o espaço que pertenceu a outra pessoa; com o seu passado que vive e invade o meu presente; com o desgoverno desse foguete chamado futuro. Eu não sei lidar com as minhas lacunas que apontam quando estou com você. E bem aqui, nesse ponto cego, descubro que eu sou a mesma daquelas noites que chorava abraçada com a coberta até ter coragem de gritar " Pai!". Eu sempre soube que ele viria quando eu chamasse, mas eu queria crescer, eu precisava aprender a lidar com o sofrimento do meu temor, e como eu temia os monstros noturnos! Hoje eu temo, os mesmos monstros, com outras roupagens, que não vem mais apenas a noite, mas em todo e qualquer momento atingindo minha mente, emoções e capacidade de entender o que é (e retribuir) o amor. E no fim desse emaranhado de ideias sentimentais, só vejo meu reflexo esperando por meu pai que vem, me abraça, me acalma e me ensina que a noite foi feita pra dormir e não chorar. No entanto, hoje eu choro, sem grito, sem meu pai, só comigo e a obrigação de aprender a lidar com os monstros do amor. 

Um comentário:

  1. Ah minha cara Denise;

    Sobre o amor, sei tão pouco que não ousaria dizer a você que conheço-o ao ponto de ter absoluta certeza de que ficará tudo bem. Mas sobre você, tenho cá pra mim a convicção de que é mais guerreira e mais aguerrida de seus ideias do que imagina, e por eles, eu tenho certeza de que chegará ao final do arco-íris, no fim do caminho dos tijolos amarelos, onde dizem estar a tal felicidade que tanto buscamos.
    Chore, grite, não entenda. No fim tudo isso faz parte do nosso processo de libertação. Só não tenha medo. Ou melhor, permita-se o medo, mas não tenha medo de enfrentá-lo. E pra isso, conte comigo, porque amigos, não chegam nem perto da proteção de um pai, mas também enfrentam os monstros junto com a gente.

    Abraços meus.Fique bem. Fique em paz!

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