domingo, 27 de dezembro de 2015

Girassóis e recomeço de uma velha história

_ Alô.
Ouvir sua voz foi como estar ao seu lado outra vez. Seu timbre inconfundível fez meus olhos fecharem automaticamente, refletindo em minha mente você, parado em minha frente, movimentando os lábios e esticando aquele sorriso irônico do lado da boca, que só você sabe fazer. E aqueles dez anos que se ergueram entre nós, nos afastando por caminhos distintos, foram desfeitos como fumaça. E meu coração pode respirar o ar puro outra vez, com cheiro de renovo, de girassóis.
_ Alô? Alguém na linha?
_Oi, quem é?
_ Quem é que está falando?
Eu sorrio, é claro que você sabe quem está falando. Eu sei quem é. Sempre saberia, ainda que se passasse muito mais que muito tempo, eu poderia reconhecer sua voz e possivelmente ela ainda teria o mesmo efeito sobre mim.
_ O que você quer? Já faz  tempo que...
_ Você está em casa? Preciso sair mais tarde, pensei em passar aí para te ver um pouco.
Me pergunto como pode simular que o tempo não passou, que ainda somos os mesmos daquela época, que não houve mais ninguém. O estranho é que, não parece ter mudado nada. Somos só nós dois, nossa velha cidade, nosso caso mal resolvido e minhas emoções descontroladas.
_ Ahn, sim, estou em casa... Pode vir.
Eu não acredito que disse que poderia vir, como posso ter me esquecido das noites que chorei até dormir, e dos diários queimados por sua causa? E aquela história de que estava com outra mulher enquanto saía comigo? De toda aquela enrolação para me dizer algo que nunca foi dito?
De todas as viagens em que deitei no seu ombro, todos os filmes vistos segurando sua mão, nossas conversas infinitas e olhares que só nós dois podíamos entender, como esquecer da nossa foto juntos de quando éramos bebês roubada por você? De cada conversa amiga que só você poderia me oferecer quando meu mundo caía? Das nossas músicas juntos? De cada briga finalizada em gargalhada?
A verdade é que sempre fomos os melhores amigos, e você deveria ter gostado de mim. Aquela vez que me buscou para irmos ao baile, realmente eu estava linda, e era pra você. Todos pensavam que éramos um casal, e éramos, mas de amigos. Essa sempre foi sua resposta. Mas eu te amava.
No dia que resolvi te contar isso, que não éramos mais amigos, você me abraçou forte, como nunca antes, beijou minha testa e disse que tudo ficaria bem, que éramos irmãos. Pode se lembrar? Ou eu devo me lembrar! Como posso ter dito pra vir?
Eu decidi seguir em frente, conheci pessoas, me apaixonei, tive namoros, noites, histórias e construí memórias. Acreditei estar muito mais forte e imune a você. Nossa amizade se definhou quando partimos de nós mesmos.
Já faz tanto tempo, já imaginei te encontrando tantas vezes. Com um namorado talvez, com os amigos, na rua, no shopping, no parque. No entanto, não nos encontramos. E cá estamos no lugar de partida. Cada um por seus motivos, e ainda que os números de telefone tenham mudado, aqui é impossível se perder. E é por isso que talvez tenhamos os dois retornado, para nos achar.
Tudo o que sei, é que você me ligou. E não sei como vou reagir ao te ver. Ao te olhar nos olhos. Naquela época você me pediu para não cortar o cabelo, e foi justo ele o meu alvo. Ficou horrível, era o meu reflexo. Hoje meu cabelo está enorme. Tenho tantas coisas pra te contar, para te perguntar. Tanta vontade de me enlaçar em você e afogar essa saudade.
flowersDe todos eles, nunca pensei em outra pessoa a não ser você. Mas disso você não precisa saber. Ou deveria dizer já que não somos mais aqueles adolescentes inseguros?
_ Posso entrar? Abre a porta logo, sou eu! Trouxe girassóis.

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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

e ela se foi

Imagem de love, hug, and couple

Para o novo amor,
Os cachos do cabelo destacam seu rosto, não acha?
Olhe bem, mas não faça barulho, a observe daqui, de longe.
Um dia ela me disse que o longe era saudade, lágrima que cai sem querer.
Ontem, eu a ouvi dizendo que o longe é alívio, paz. Eu não entendi muito bem o que isso significava, até que ela começou a me falar sobre você. Acredite, você mudou o significado de longe para ela.
Chegue mais perto de mim, e preste bem atenção no que vou dizer. Ela gosta de você, especialmente do jeito que ri. O som da sua risada desperta nela o desejo por participar dela, fazendo-a se sentir feliz e contagiada por você. Na verdade, não acho nada demais, mas é o que eu ouvi.
Ela também gosta da sua voz e do jeito engraçado como dança. Não sei por qual razão, porém é especial pra ela.
Ela tenta não te olhar quando estão em público, mas é quase impossível conter seu desejo. Ela sente ciúmes, mas evita a demonstração.
Sei que ela tenta dar uma de durona, decidida e indiferente, mas acredite, está totalmente envolvida e apaixonada por você.
Contudo, ela reclama do seu abraço, ela quer que a abrace como quem segura o mundo, que demore dez, vinte, cinquenta minutos, só pra poder sentir seu cheiro e poder descansar  nos seus braços, se quer mesmo saber, ela te ama.
Não ligue para o modo que ela te evita, você a confunde, quando olha nos olhos faz seu tudo girar tanto que fica quase tonta. Quando a toca, ela sente um arrepio dos pés à cabeça e perde a próxima frase que deveria proferir. Ela anseia por seu beijo, seja gentil quando for o tempo.
E quanto à mim, eu não pensei que teria que partir tão rápido, tenho que admitir, você é muito bom. O melhor, e por mais que eu deveria querer voltar, espero não tê-lo que fazer porque ela merece ser feliz, e se é você, que seja, estou de partida, o meu lugar agora é todo seu.
De sua amiga,

T r i s t e z a.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Dezembro, finais e começos felizes

Ao som de :  Não chora (Móveis coloniais de Acaju)
[é só clicar no nome para ouvir, se quiser ;)]

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Por mais que ela saiba que tomou a decisão  correta, a tristeza não deixa de lhe importunar. Olhe para ela, encostada na janela encarando  o nada, como quem vê o tudo ali. O braço apoiado no encosto e a mão levada à boca. Ela sente o vento na pele, como a liberdade na alma que lhe enche agora, numa confusão benéfica de sentimentos.
Morde o lábio inferior e se vira de vez para a janela, ignorando completamente o falatório atrás dela. Ela não quer saber o motivo das risadas das pessoas que estão ali, na verdade, se pergunta por que está ali. Poderia ter dito que não estava afim de sair hoje, ou que sua saúde não estava legal, mas não quis ser desonesta, porque acredita que não vale a pena.
Seus olhos se moviam em harmonia com os pensamentos que lhe invadiam, já fazia tempo que alguém não a convidava para um encontro. Não, na verdade, já recebeu alguns convites desde aquilo, contudo, preferia se esquivar, porque, ainda não estava confortável para essas coisas. É mais seguro evitar, não queria se envolver com outra pessoa agressiva, possessiva e tão destruidora como foi o seu último relacionamento. Quando essa lembrança lhe veio, seu rosto endureceu num instante e sua respiração ficou ofegante. Seus olhos se fecharam e ela mordeu com mais força o lábio inferior lhe causando uma dor que era mais profunda do que a física, tão íntima que lhe trouxe lágrimas. O que ela estava fazendo? Não deveria ter vindo! Enche as bochechas com ar em uma tentativa de reprimir a dor que sentia ao se lembrar do que viveu com ele, não por saudade, mas vergonha do que sofreu e porque permitiu que ele a fizesse passar por tudo aquilo. Seus braços agora envolviam seu corpo em uma tentativa vã de se abraçar e acalentar seu próprio coração de suas lembranças cortantes.
No momento em que o vento soprou a cortina com mais força, percebeu que tinha tanta gente ali, e que nem se davam conta do que estava acontecendo, na verdade, nem se davam conta de que ela estava ali, sendo moída por suas recordações infelizes. Esfregou o rosto e respirou fundo, aquilo tem que acabar. Tem que morrer, ser esquecido, já acabou , não é mesmo? Respire, respire! Repetia para ela mesma. Fechou os olhos e se lembrou do seu convite para sair, sim, ela tinha um encontro!Automaticamente o sorriso contornou seu rosto, as lágrimas pararam de nascer nos olhos,  e a respiração tornou-se mais leve. Ela não quer criar expectativas, não pode!  Mas ele, ah, respirou fundo, ele a chamou para sair, é justo que se permita pelo menos ficar feliz. Já faz tempo que não se interessava por alguém assim, ele é especial,  por isso gostou dele, só não podia imaginar que ele também tinha gostado dela.
Olha para trás, observa as pessoas comendo, conversando, rindo. É, a vida lhe deu uma nova chance. Respira fundo, enchendo o corpo de ar lentamente, fecha os olhos e sorri. Realmente, Deus é bom, ela está livre. L i v r e das cobranças, chantagens, agressões. O final não foi feliz, mas ela acredita que esse novo começo, independentemente do seu encontro ( e quando pensou nisso, teve que morder os lábios a fim de segurar um sorriso mais escancarado) está sendo, e será ainda mais feliz.
É hora de voltar para a sala e participar das conversas. Mas antes, sussurra para si mesma, olhando para o céu: _ obrigada por me dar um começo feliz, o b r i g a d a.
_ Ei, Isabel! É dezembro, venha ficar com sua família um pouco.

É sua avó chamando, ela se vira. As mãos livres balançam junto ao corpo esguio que se move rumo à sala, com um sorriso de quem está verdadeiramente em p a z.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Raabe, uma mulher inspiradora



Ainda hoje, a prostituição é algo que choca e desperta diversos sentimentos sociais nos indivíduos, muitas vezes gera curiosidade, outras preconceito, discriminação e exclusão social. Esse é o contexto que Raabe está inserida.
Deus prometeu que daria ao seu povo uma terra para que vivessem e produzissem, no entanto, havia Jericó, uma cidade que deveria ser vencida antes.
Josué, líder do povo de Deus, envia dois homens para espiar a cidade de Jericó. A fim de que não fossem mortos, esconderam-se na casa de Raabe, aqui começa nossa reflexão.
Raabe era uma mulher e prostituta ( e isso inclui dizer o modo como vivia, excluída socialmente, sofredora de vários tipos de preconceitos, desprezada e humilhada) de um lugar que estava prestes a ser destruído por Deus. Certamente, ela era uma mulher que tinha propriedade para dar lições feministas.
Quando os espias conversaram com ela, acredito que se surpreenderam pela fé ousada que aquela mulher tinha, ela ouvia falar acerca do Deus de Israel, e simplesmente cria no seu poder. (Josué 2. 9-11)
Raabe em sua ousadia, inteligência, perspicácia e fé, pede aos espias que façam uma aliança com ela, garantindo sua sobrevivência e de sua família. Os espias aceitam e propõem uma contrapartida, que Raabe coloque em sua casa um cordão de fio de escarlata na janela, e assim saberiam que quem estivesse dentro da casa, seria salvo, mas se ela não cumprisse sua parte no plano, eles estariam desobrigados do acordo.
A lição que fica, é de que Deus também fez um pacto conosco, quando nos dispomos a confiar Nele como fez Raabe, que ousou ir contra seus próprios costumes, sua sociedade corrupta, abrindo mão de seu conforto e estilo de vida, Ele nos honra, como honrou à essa mulher.
Deus enviou Jesus a fim de nos livrar do pecado e nos garantir uma vida segura ao Seu lado por toda a eternidade, como Raabe também temos uma parte nessa aliança, não bastou abrir a porta e deixar que os espias entrassem, mas foi determinado que se ficasse dentro de casa e colocasse o cordão como sinal na janela.
A nós cabe uma vida de oração, leitura e aplicação prática da palavra de Deus. O sinal que nos foi delegado é o sangue de Jesus, que cobre nosso pecado e nos diferencia dos demais. A marca de Jesus nos cobre, nos dá livre acesso ao Pai. Por intermédio da obediência de Cristo nos achegamos a Deus e podemos crer que temos Nele a confirmação da nossa fé e o motivo suficiente para vivermos em santificação.
Raabe se dispôs a servir, creu no Senhor e foi salva juntamente com sua família. Uma mulher ousada, corajosa, de fé! Um dos homens mais bondosos e justos do antigo testamento, Boaz era um de seus filhos. Deus honrou a fé e a coragem de Raabe ao colocá-la não apenas na linhagem do rei Davi, mas também de Jesus.
Que a fé e a ousadia de Raabe nos inspire a sermos mulheres de Deus, agindo em uma sociedade que precisa de figuras femininas que edifiquem, que não desconstruam o valor e a graça de sermos mulheres. Deus nos criou únicas e dotadas de qualidades a fim de manifestarmos a glória Dele.
Que o Deus de Raabe, nos abençoe. E que a fé dessa mulher incrível nos inspire!

Denise Oliveira


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Monstros, vida adulta e amor

Muitos passos para a vida adulta foram dados, como sair de casa, ter um emprego, terminar uma faculdade, ter uma profissão e planos para um futuro. E como adultos, a gente sempre cria meios para evitar a dor, o sofrimento ou o desgaste nesse sentido, mas nem sempre é possível fugir. A dor emocional é como a morte, ela chega e toma conta de você, com ou sem resistência, ela sempre leva a melhor nesse combate. O quão difícil é amar alguém? Confiar em alguém? Se expor e se oferecer como Prometeu à águia continuamente? Eu não sei lidar com isso. Confesso, exponho minhas entranhas de um modo doído e gritante, eu não sei lidar com isso! Não sei lidar com o espaço que pertenceu a outra pessoa; com o seu passado que vive e invade o meu presente; com o desgoverno desse foguete chamado futuro. Eu não sei lidar com as minhas lacunas que apontam quando estou com você. E bem aqui, nesse ponto cego, descubro que eu sou a mesma daquelas noites que chorava abraçada com a coberta até ter coragem de gritar " Pai!". Eu sempre soube que ele viria quando eu chamasse, mas eu queria crescer, eu precisava aprender a lidar com o sofrimento do meu temor, e como eu temia os monstros noturnos! Hoje eu temo, os mesmos monstros, com outras roupagens, que não vem mais apenas a noite, mas em todo e qualquer momento atingindo minha mente, emoções e capacidade de entender o que é (e retribuir) o amor. E no fim desse emaranhado de ideias sentimentais, só vejo meu reflexo esperando por meu pai que vem, me abraça, me acalma e me ensina que a noite foi feita pra dormir e não chorar. No entanto, hoje eu choro, sem grito, sem meu pai, só comigo e a obrigação de aprender a lidar com os monstros do amor. 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

2015 e meus tópicos.

Faz tempo que não escrevo. Que não canto, danço ou fico sem fazer nada.
Sempre há o que fazer, prazos a serem cumpridos, metas alcançadas, sempre há mais o que se buscar, entretanto, nessa busca descontrolada por mais da vida, ela evade-se de mim (eu sinto).
Quase cinco anos se passaram desde que entrei na faculdade. Hoje não aguento mais ter que frequentar aquelas aulas monótonas, onde o sono me abate quase que todas as vezes.
Não sei o que será da minha vida, conformei-me com o Direito, não que isso signifique muita coisa, o caminho ainda é árduo até conseguir um emprego bacana e uma estabilidade financeira.
Noites sem dormir, comendo qualquer coisa, dores nas costas e um estômago frágil demais, foram os prêmios que tive por manter uma vida frenética, academicamente falando.
Fui obrigada a abandonar a literatura e todo tipo de arte. Enquadrei-me a um perfil  descrito por Kafka em A metamorfose,  não raramente lembro de Gregor Samnsa e rio, sentindo minhas patas no ar, sem conseguir voltar ao chão.
Ainda amo. Mas não sei mais escrever sobre o amor.
Afinal,  o que é o amor? Responda quem puder. Pois eu, não posso o fazer por debilidades mentais.
As figuram se cruzam, os personagens se desfazem para dar espaço ao real. Aquele personagem que descrevia nos textos mais antigos, finalmente deu as caras por aqui, e adivinhem meus caros! Ele não pode ser meu. Não pode, porque não pode. Dura vida.
Por  tanto tempo o descrevi nos meus textos,  seus detalhes e personalidade marcante, para agora, saber que é intangível. É tão lamentável.
Desenvolver a fé. Apontar para o alvo e remar. Difícil lição aprendida diariamente nesses dias.
Ainda sinto uma falta irremediável da minha avó Joelia, quando eu soube que tinha sido aprovada na OAB, só queria poder abraçá-la, não precisava de ninguém, só dela. A falta dela me ensinou que não preciso desesperadamente de ninguém, apenas de Deus, fora Ele, tudo é superável. Tudo.
Enfim, não sei que espécie de texto é esse, mas precisava passar por aqui. Sinto falta de ser uma blogueira.
Muita paz e sucesso.
( Dica musical: Canção pra não voltar, A banda mais bonita da cidade.)

Denise Oliveira.