quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

o que chamam de...a m o r

coupdegrâce.
Trilha sonora (clica no nome): Candy - Paolo Nutini
Nota da autora: o texto é grande,mas faça um esforço e leia até o fim...
-
E era uma tarde de um outono cruel,
quando duas almas se encontraram para apagar vestígios de uma dor insistente e sólida demais para tal ato...
 ...

_ tem certeza de que quer mesmo fazer isso?

_ tenho.

_talvez doa muito,mais do que pense...

_não importa,eu quero.

_se eu começar,talvez não consiga parar,e então?

_continue...

_A quanto tempo fez sua decisão?

_ontem a noite.

_quer fumar um antes de começar,pra dar uma relaxada?

_não,quero estar o mais sóbria possível,sem nenhuma interferência.

_tudo bem,vamos lá!

_por que você está tão apreensivo? a mãe nem era sua?

_não sei dizer,talvez eu seja sensível demais a dor alheia...

_não está doendo mais assim,acredite...

_o dia está frio,não?

_agradável;porém não tem que mudar de assunto só porque estamos queimando as últimas lembranças da minha mãe que perdeu sua vida pra um câncer filho da puta,me deixando só,a mercê de suas crenças inúteis...

_você sabe que não gosto quando fala assim...

_nem tudo na vida vai ser do jeito que você gosta,já pensou nisso?

_já.

_pegue a última caixa de fotos por favor.

_está aqui...você parecia feliz nessa foto...

_eu estava mesmo...simplesmente por tê-la ao meu lado...

_então não queime essa foto...

_não quero me poupar da dor...que ela seja inteira,abundante e desgraçada como tem que ser...

...
Em um lugar tão sujo quanto sua alma,um dos dois assassinos de memórias procura algo que o ajude a continuar...

_...e assim foram-se as recordações de tempos que podiam ser chamados se bons...daquela que me tem...sem mãe,sem desejo
de permanecer...sem o fôlego de vida...tudo é escuro,vazio e cortante pra ela...nela...não posso mais...queimou um a um
todas os papéis que traziam imagens de sua mãe...em uma tentativa vã de apagar um pedaço do que passou...quer saber,foda-se o câncer camarada!Ele desgraça a vida de qualquer um...e eu não posso fazer nada para salvá-la do que ele lhe fez...Como dói...arde,queima como as fotografias de hoje a tarde...meu peito queima por ela...por sua dor...por minha incapacidade de socorrê-la agora quando seu mundo está em cacos...Desça mais uma,assim apago dessa merda de noite...de vida...de amor...morte...

-quer um conselho?

_não.

_não seja bruto,só quero ajudar...

_fale,seja o que for...

_apenas a ame,é o bastante...pois isso apenas fará com que seu mundo seja mais maneiro quando ela tem de carregá-lo nos ombros...

...

_obrigada e me desculpe...a bebida já está atuando com sucesso no meu corpo...

_tudo bem...sinto muito por tudo...

_ é,eu também sinto...adeus.

_adeus.

...

A campainha soa...
e ela se levanta para acolher em si aquele que pode ajudá-la a respirar novamente...

6 comentários:

  1. oi!!!
    nossa!!!
    bem se essa historia fosse comigo não sei como reagiria. cada pessoa dera uma reação diferente quem somos nós pra questionar? aprendi algo na vida sei que um dia vamos chora a perda de uma pessoa que amamos mt...
    então que façamos tudo que está em nosso alcance pra que nesse dia choremos somente a dor da perda. E que nossas lágrimas não seja pela dor de coisas que não visemos, coisas que não falamos e momentos que não visemos!
    nossa esse comentário já virou um texto rsrsrs
    bjs

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  2. Adoro Paolo Nutini, Denise...
    O texto ficou tão legal.Um drama que mesmo sendo um drama,a pessoa encarou de cabeça erguida,pois ela tem consciência de que a vida acontece,os problemas estão aí,mas se abaixarmos a cabeça para tudo isso...pode ser bem pior do que já é.
    Gostei muito,mesmo.
    Seus textos são sempre ótimos,mas nesses tempos têm sido ainda mais ...
    Estou adorando acompanhar seus escritos de férias,rs...
    Beijos.

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  3. Nossa!!!
    Amei, intenso e profundo!!!
    A cada texto uma surpresa diferente!
    Bjuss flor!

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  4. Que intensidade e eloquência nesse diálogo Denise, quando todas as forças ainda parecem ser poucas para se enfrentar a despedida. Deste um tom de grandeza ao ser humano e suas dores.

    Um beijo Denise

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  5. Oi Denise, (:

    Sua sensibilidade sempre me surpreenderá.

    Perder quem amamos... a dor mais absoluta e absurda que podemos experimentar. Mas, cabe a nós passar por ela da melhor maneira possível, não sem dor por que não há maneira, mas de forma que se a pessoa que partiu nos visse, teria orgulho de nós.
    Embora nunca possamos nos preparar... Temos que agradecer o tempo que nos foi dado (:

    Ps: como não ler por completo, um texto tão profundo? (:

    ~> Beijusss...;*

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  6. puxa, emocionante Denise *-*
    quem ja perdeu alguém que ama para o cancer pode compreender a grandeza da dor que isto pode causar no coração de alguém =(

    e sim, não foi nenhum sacrificio lê-lo ate o fim ;D

    *----------*

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